quinta-feira, 15 de abril de 2010

NOTICIA

Quando iniciei este blogue (mal sabia soletrar a palavra blogue), virgem no conceito de blogosfera e da sua dinâmica, que aos poucos se expos mais clara, coloquei premissas incertas navegando por mares tumultuosos e também eles imprevisíveis.
Cheguei a este ponto, este texto que lêem. Avisando que o blog iconoclasta vai revelar as suas cores mais peculiares. Aconteceu uma “coisa especial”. Será remodelado, será um acaso no deserto, um refúgio underground. Uma minoria apreciará a metamorfose e nem publicidade será executada. Viverá das bocas que procuram nudez, um carácter cru e, assim finalmente o Iconoclasta se afirma.
Vou no entanto formar um outro blog, este mais lapidado a nível estilístico e com algumas divergências de propósito ao Iconoclasta. O novo blog é dirigido a quem tem uma relação íntima com a escrita, exercida ou lida. Para os interessados em saber o paradeiro deste novo blog contactem-me para o mail já exposto na página.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Viagem caligráfica

Desfaço as malas apinhadas de canetas e papel. Visualizo uma abstracção esférica e pondero meticulosamente no segredo indomável das palavras que resvalam dos olhos quando as queremos fixar. Elas fervilham multiplicidades. Quando são concretas como a garrafa de vinho branco ao meu lado, formula uma imagem. Quando extravasam reticências opacas, marcam uma sensação e cada vez mais subjectiva. Portanto a minha viagem será bem diferente da vossa, de nebuloso imaginário com um copo de vinho só para situar terreno. Pois uma nuvem a cada segundo sugere algo diferente. É essa esquina esquiva que desvela o misticismo da escrita oblíqua, onde o orvalho seca lentamente sem que ninguém o veja claramente. Pego na garrafa e parto-a no chão impecável deste hotel alucinatório. Depois espremo uma tangerina corrosiva para a língua e corto uma veia para saber que é real. Ondulações voláteis arrepiam a espinha quebradiça de cansaço e renovam a ninfomania lírica consumada a cada palavra desferida suavemente. Não sei para onde vou, mas vou e então outra garrafa aparece ao meu lado, cheia de vinho branco. A rolha hesita mas salta com aquele som em eco seco. Neste momento esquecível uma mosca verde é esborrachada com a minha caneta e saem lombrigas contorcendo como batatas fritas estalando. Acendo o meu charuto que entretanto apagou. Começam a bater à porta, provavelmente do fumo que escapa pelas frestas da estúpida e tosca porta de madeira. Mas com a caneta os calo e dou mais um beijo no gargalo da garrafa. Pego no preservativo espinhoso, agarro uma maçaneta ferrugenta:
- Vão pró caralho que agora estou bêbado! – Porta bate quase parte
Seguro na caneta sabendo que é a ultima maré de tinta. Velejo na areia molhada e um pequeno filho-da-puta caranguejo ferra-me com as suas pinças, desaparece como aparece como se fosse só para me dizer dor. Mas a mão persiste à longa noite que se tornou e escreve já sem intenção. Solta uma cor ao abrigo do silêncio. Sublimo um suspiro cavernoso no remate da geometria desfigurada. A retina treme. Partes do corpo frias outras quentes. Sujo como um sabonete. Tensão última de microestrutura. Com um final cortado de

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Foi hoje

Hoje um anjo abandonou-me

Ergo-me à beleza desta noite fumegante, de uma escuridão fria e silenciosa. Ratazanas mortas na estrada de alcatrão, uma vela vermelha iluminando a folha de papel.

Abandonou-me pois não mais preciso dele

Consigo parar completamente e fita-lo nos olhos sem a mínima vibração de inquietude. Ele sorri e diz que eu ainda não vi tudo, que a minha intrepidez se alimenta de um orgulho fugaz.
-então explica-me porque começas a gostar de mim?
O Diabo sorri e em gesto expressivo de oferta dá-me um cigarro, ele, desaparece pelas portadas da morte. Acendi o cigarro sem hesitar, como se fosse um dos meus.
O cigarro reagiu no meu corpo com um prazer inócuo, uma prenda do príncipe da dor, de facto um cigarro inebriante. Recostei no sofá refastelado viajando por nenúfares púrpura e bolas de sabão reluzentes, sabor a mel e a sombras quentes.
O Diabo sabe aliciar os seus filhos e esforça-se para expor o quanto fascínio temos por ele…como se algo nele estivesse em nós
Mas eu não sou de ninguém e não gosto de muros, daqueles que dividem. Estou-me a foder em que gavetas de rótulos tentas meter-me. Estreito…o teu preconceito cheira a merda, vê bem quanta cegueira como pontos nulos e sítios que não pressupões sequer e pessoas que não conheceste a fundo porque a superfície era errada. Mas quem eu sou tu não queres saber, gostas de superfícies retocadas e paras por aí. Masturbaste constantemente com os teus sucessos verbais. Quem as pessoas são importa-te desde que te continuem a sorrir

Este texto não te sorri

Diz que és egoísta demais para o veres. Evitas e é só isso que me incomoda. Não é o facto de seres egoísta, é o facto de o evitares. Foda-se ! não vês o que fazes a ti mesmo quando te negas?

sábado, 12 de dezembro de 2009

loucura normal

Quando estamos num sonho, ele é perfeitamente razoável enquanto realidade, exactamente quando estamos ou pensamos estar acordados. Só temos senso do sonho quando acordamos. Quando acordamos deste?
Um “louco” acredita na sua experiência acima dos outros. O ser humano, a sua mente, pode criar totais ilusões e dá-las como dado garantido e a única diferença entre o dito louco e a dita pessoa saudável, é que esta pode confirmar objectividade com os outros, mais óbvio a nível sensorial: “ali está um copo”
Mas quem disse que o ser humano normal vê a realidade como ela é? Podemos até alucinar que os outros concordam connosco… crescemos acreditando nos nossos sentidos e a sua sintonia, que percepcionamos objectos e estes são reais e não uma ideia subjectiva. É só um lugar de incerteza, principalmente quando há outros seres humanos partilhando uma bem diferente outra realidade em conjunto, imunes ao rotulo de loucos pelo seu discurso bem articulado e coerência de perspectiva. Chamam-lhes gurus espirituais. Dizem que a consciência expande e isso altera a percepção da realidade. Que só em Satori (um estado de mega lucidez) vemos a realidade como ela é. É um estado de consciência cósmica e portanto intitulado como o último dos acordares. Estes ditos gurus espirituais descrevem com extrema precisão a perspectiva da pessoa ”normal”, estão conscientes dela mas acrescentam que é uma ilusão muito parecida ao que chamamos de sonho.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Espontaneidade adulta

“Ensinaram-nos o que pensar e não a pensar”
Pois estou a tentar manejar a minha elasticidade mental, uma abordagem criativa, livre e astuta, pois as várias massas não vão muito bem e cada um tem particularidades. Quantas pessoas pensaram em “estabilizar” e assim ficaram, sólidos como um bloco de gelo mecânico sonhando ser Napoleão de pila de fora, bem casados e mal fodidos…para alguns isso serve. Daqui a um século o que é descartável será uma outra moda de mentalidades, a essência da natureza humana estará lá, talvez não tão soterrada com máscaras, maquilhagens e coisas anormais a que tão bem nos adaptamos mas a custo de nos arrastarmos pela estrada de pó, não sabendo que a espontaneidade não é um valor secundário, descartável, mas um indicio que, despindo a sua máscara revela o poder de alguém que flui, sem tensões ou medos a rodear como uma jaula claustrofóbica... questão de liberdade: senti-la.
É que quando aceitamos os aspectos destrutivos da nossa persona, eles tendem a ser breves e leves. O problema e caso complicado são os veteranos, adultos, experientes e quase bloco de gelo que reprimiram tantos ódios infantis ao ponto de terem “a sensação” de que lá no fundo todo o ser é costela de diabo. Sempre tensos filisteus erguendo a medalha de veterano para sustentar os seus argumentos, normalmente mal aguentando nas canetas pois a sua vitalidade quis “estabilizar”. Porra conheço velhos carecas que me davam uma tareia com o dedo mindinho não fossem eles tão bem humorados e confortáveis com “os mundos”. Vidas em crescendo e um sorriso largo no minuto da morte.

domingo, 25 de outubro de 2009

Para o comum mortal

Achas ou sabes que algo perdura à morte do corpo…então este texto não é para ti. Sendo assim também não é para mim, é meu, mas já foi para mim. Vai ficar neste blog quando eu morrer e talvez eu o veja depois. Não é de facto para mim, ou será? Se eu encarnar num ser que acredita na morte total, será então para mim. Não é definitivamente para este meu cérebro actual.
Se és alérgico a cemitérios este texto vai-te fazer comichão, não leias… Vamos então supor que não és nada mais que um espermatozóide desenvolvido que ganhou a corrida ao óvulo, nada depois da morte, que a morte é o fim de tudo o que te constitui, não ganhas, não perdes, desapareces; então, quando morres nada ficou por fazer; assim que estás no caixão ou cinza para o oceano, desconheces tudo o que te motivou. Bem, na tua perspectiva estás sempre vivo, nunca te verás morto. O teu funeral fará reunir muita gente (ou não), que chorará por ti (ou por eles?), serás tão importante para eles naquele momento e é uma pena que não o vejas, fechadinho no caixão assim tão sossegado.
Queres morrer velhinho? Com histórias para contar aos netinhos?
Morto, no pálido insubstancial, nada significa. É só a tua ideia enquanto vivo. Vais ter de morrer e nada te vai significar, independentemente de quando… Não te crescem os tomates quando sabes como acaba?
Repara: para ti a consequência eterna é a indiferente nulidade. Quão livre te sentes para isso enquanto vivo? Agora estás aqui, o que vais fazer disso seu monte de carne sonhadora?
“Rest In Peace”.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Lobo

Sorvi do pesadelo o seu demónio amargo.
Com deleite o fiz, propositadamente, pois sabia o que fazia.
Outrora, em pânico, evitava cruzar o olhar com os olhos da minha dor.

“Hoje é a iniciação, o desflorar do Lobo”

Um ácido mórbido fervilhava já pelas veias, uma vez injectado no cérebro, a senilidade neurótica corrói a mente com pensamentos caóticos e de uma súplica incontrolável por conforto. Um elemento novo estava lá para que tudo corresse bem.
Ardendo de medo…eu…prolongava o senso de força. Neste ponto todo o corpo rebentava em chamas cruéis. Fui fundo na dor e nem isso me fez hesitar, longe de fugir.

Sorvi do pesadelo o seu demónio amargo

Nos sorrisos apenas via mandíbulas, as lagoas tinham petróleo e as nuvens cobriram o sol, tão densas eram que parecia noite. Na penumbra ampla, algo insolitamente bom germinava. Uma sensação selvagem de orgulho à minha ferocidade, pois o medo não mais me causava medo. Na escuridão, os meus olhos brilhavam pujantes uma cor âmbar.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sair do trilho do pastor

Aquele tirano salivou a tua forca, com palavras infantis de infernos e sombras esfomeadas te esganou o ar. Vives arfando, parcialmente vivo, não ousando a tua liberdade, porque o rei ergueu a sua espada flamejante e espargiu o terror a multidão, bradando trovões ensurdecedores, ditou a lei na tua mente susceptível. Tudo o que te calam, rebenta por dentro. Cheira a tua carne na fornalha, és um predador amordaçado com vegetais. Queres gritar, mas tens farpas na garganta. Querem-te previsível e com medo do caos, que reajas por padrões e inseguro ao ponto de te arrastares por uma vida que não queres. Sabes o que queres?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Aveludado

Os espaços não preenchidos deste olhar claro para o céu negro aberto.
Uma melodia desvela suave no saxofone hipnotizante.
O mundo sensorial pulsa nas minhas palavras singelas de quem repousa a reflexão e areja o tacto à noite de cetim. O ar morno de verão aconchega a dança subtil do meu corpo maleável e fluido, erotizado na sua sensibilidade natural de quem largou a fragrância da pele à improvisação da natureza nocturna, toda ela orgânica e interligada, sussurrando o mistério da intuição e as coisas escondidas para lá do que a luz alcança.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

É uma questão de Fé

Profetas racionais analisam esta tendência cultural mais cerebral em que a fé num deus se esfuma na sua vela branca, à chama penetrante dos “factos”. Muita cera foi derretendo, o jogo flexível das interpretações sagradas estreita no que há a desvelar no fenómeno não geométrico da vida. Enquanto houver mistérios que transcendam a percepção humana, deus está lá, num exercício de metamorfose ideológica susceptível aos detractores que salientam as contradições divinas, como argumento fulcral à descrença.
O centro da existência estava em deus, era o impulsionador motivacional do homem que nunca pareceu escapar ao pecado. Em segundo lugar estava o “nosso irmão”, nós próprios nunca concretizamos o amor ao próximo porque estávamos esquecidos e condenados ao julgamento de um ser superior.
O homem tem de ser o centro, nós próprios; Sem julgamento aceitar o que somos. Amar-nos sem reservas e pesos na consciência, e aí sim, irá jorrar amor para os outros, e no fim a existência, colateral, a vida será amada. Quando damos por ela, a Fé na existência está lá.

sábado, 8 de agosto de 2009

Na minha outra vida

Os sonhos do manequim sem voz
Petrificado num planeta de casas abandonadas
Exalando gelo, um gelo tíbio
Tão horrorizado com as sombras de gigantes
E feras adocicadas que maneavam sensualidade

Os sonhos fervilhando nervos quebradiços
Da criança perdida com olhos de Cleópatra
Que via deuses e agarrava poeira

Deixou de sonhar, tal lágrima seca
Tresandava a solidão, vagabundo das marés
Falava com a rebentação das ondas
Fumegando estrelas negras
Vaga inércia a lua morta

Quando já nada restava
O verniz da cabeça de porcelana estalou
Mal senti
Quebrou tudo em cacos e lodo
Senti bem forte, e morri ali
Depois veio a minha segunda vida

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Come as you are

Ela era de beleza escultural toda nua. Estava quase a ter o orgasmo, naquele ponto mais egoísta do que relação, em que a atenção absorve a onda que vai rebentar. Irrompeu selvagem roçando céus, um orgasmo surreal que me fez estremecer os ossos do corpo. Ofegante, sorriso pós-arrematação, olhei para ela. Estava petrificada num horror que não percebi. Será que fui animalesco demais?
-Que foi querida? – Perguntei hesitante.
- Não tens máscara…
Como reflexo involuntário pus as mãos na cara e entrei em pânico comedido. Pois mesmo na morte, desde que somos crianças pré-adolescentes, ninguém ousa tirar a mascara.
- E…então? Pareço uma criança? Sem máscara?
Estas palavras reuniram as possíveis capacidades de lucidez dela. Um nojo execrável fê-la violentamente sair do quarto.
Fui, num misto de medo agudo e curiosidade, ao espelho baço de corpo inteiro. Quando me vi…
- Pareço um monstro…pareço um monstro…isto não posso ser eu…
Recuei combalido até me sentar na beira da cama desarrumada, perplexo e assustado fiquei alheio ao espaço-tempo do mundo, ate amanhecer. Tudo o que sempre escondi… Mais sóbrio barriquei a porta e a janela ficando na escuridão. A ideia de me ver outra vez era terrível.
O tempo lembrava-me a fome, numa insónia longa, que corrompia-me as forças. Fui buscar um bloco de notas e comi um bocado de papel para enganar o estômago. Comecei a ouvir um alarido lá fora, parecia pessoas em revolta atirando pedras à janela e tentavam arrombar a porta e gritavam: “Sai daí seu monstro!”
Estaria a alucinar?
Velas, muitas velas iluminaram de rompante o quarto. O cansaço não deduziu o facto estranho. Um papel esvoaçava pelo quarto ao vento inexistente. Consegui apanhá-lo. Estranhei ser a minha caligrafia, mas dizia: “ O monstro quando acarinhado recolhe as garras”
As palavras foram fundo em mim e percebi perfeitamente o que fazer.
Foi um choque rever-me ao espelho, mas em esforço de vontade enfrentei-me. Sabia o que fazer…apenas olhar sem julgamento. Lá fiquei, observando aqueles sulcos venenosos, aquela disformidade abominável. No inicio era difícil aceitar, mas aos poucos a própria cara ia modificando. Certo ponto a cara começou a ser mais cara, já não era um monstro, era uma cara. Repousava na minha face, uma paz interior observando e notei até alguns traços de inocência. Quando gostei de mim caí no chão e dormi.
Lá fora estava de facto uma multidão nervosa que espaireceu a tensão ate dispersarem vendo que eu tinha a máscara na cara. Como se nada passasse. Eu sentia-me uma força da natureza, toda ela viçosa e possante num regaço de tranquilidade inabalável…não havia drama. Se uso uma máscara é porque quero alguma coisa do teatro.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Cupido...ja aparecias não?

Para saberes se estás num sonho atira-te de um precipício, resulta sempre.
Medo…ele avisa, mas já viste, estamos a enlouquecer, é normal.
Ela diz que tem medo. Eu também e depois?

Depois o cataclismo desvela-se num adeus seco e o coração desfalece em vácuo, desmorona-se em lama negra pelas mãos que tentam em pânico existencial o que só ela podia. Caio num poço contorcido, cerrado de escuridão, o ar é espesso sufoco, e ardente delírio. Á superfície alastra-se como peste um deserto que afasta, para as catacumbas da solidão, o peso esmaga a memória da face dela quando ainda me sorria. Salteadores de esperanças exímios nas torturas do desespero gritam chiando dores insuportáveis e eu, só, febril apodreço.

Ok tem algum relevo, mas eu sou daqueles que escorregam sempre no piso molhado porque não vi o sinal. Mesmo quando parto uma clavícula, ou me salta um dente, ou desloco uma rótula, gosto de ser cego. Somos uma grande comunidade, nós, os cegos. Fazemos jantares às escuras só de sobremesas e festejamos tudo, ate o “abraço” que nos dão para ajudar a atravessar a estrada é motivo para agradecer aos deuses, que no nosso caso são como tudo, não os vemos. Ouvi dizer os corações são vermelhos, e às vezes brilham o que interfere com o pensamento. Acho que o meu está a brilhar.

Na realidade não sou cego, mas fecho os olhos sempre que posso, porque a distância é grande e assim vejo-te melhor. Toda a tua beleza cândida transbordando cascatas, e eu absorto contemplo cada subtileza que te pertence. Toda a tua imponência de me cativar sussurrando docemente que entre mais fundo no intenso e na loucura.

Talvez seja eu que tenha mais medo. Quantos já se enforcaram… acho que não deviam confiar um arco e flecha a um miúdo, com asas ou não. Um dia destes irei roubar-lhe aquelas flechas e espeto umas tantas no meu coração, mas talvez nem seja necessário. Como cego tenho “intuições” que me querem para alvo.