terça-feira, 25 de agosto de 2009

É uma questão de Fé

Profetas racionais analisam esta tendência cultural mais cerebral em que a fé num deus se esfuma na sua vela branca, à chama penetrante dos “factos”. Muita cera foi derretendo, o jogo flexível das interpretações sagradas estreita no que há a desvelar no fenómeno não geométrico da vida. Enquanto houver mistérios que transcendam a percepção humana, deus está lá, num exercício de metamorfose ideológica susceptível aos detractores que salientam as contradições divinas, como argumento fulcral à descrença.
O centro da existência estava em deus, era o impulsionador motivacional do homem que nunca pareceu escapar ao pecado. Em segundo lugar estava o “nosso irmão”, nós próprios nunca concretizamos o amor ao próximo porque estávamos esquecidos e condenados ao julgamento de um ser superior.
O homem tem de ser o centro, nós próprios; Sem julgamento aceitar o que somos. Amar-nos sem reservas e pesos na consciência, e aí sim, irá jorrar amor para os outros, e no fim a existência, colateral, a vida será amada. Quando damos por ela, a Fé na existência está lá.

sábado, 8 de agosto de 2009

Na minha outra vida

Os sonhos do manequim sem voz
Petrificado num planeta de casas abandonadas
Exalando gelo, um gelo tíbio
Tão horrorizado com as sombras de gigantes
E feras adocicadas que maneavam sensualidade

Os sonhos fervilhando nervos quebradiços
Da criança perdida com olhos de Cleópatra
Que via deuses e agarrava poeira

Deixou de sonhar, tal lágrima seca
Tresandava a solidão, vagabundo das marés
Falava com a rebentação das ondas
Fumegando estrelas negras
Vaga inércia a lua morta

Quando já nada restava
O verniz da cabeça de porcelana estalou
Mal senti
Quebrou tudo em cacos e lodo
Senti bem forte, e morri ali
Depois veio a minha segunda vida