Quando estamos num sonho, ele é perfeitamente razoável enquanto realidade, exactamente quando estamos ou pensamos estar acordados. Só temos senso do sonho quando acordamos. Quando acordamos deste?
Um “louco” acredita na sua experiência acima dos outros. O ser humano, a sua mente, pode criar totais ilusões e dá-las como dado garantido e a única diferença entre o dito louco e a dita pessoa saudável, é que esta pode confirmar objectividade com os outros, mais óbvio a nível sensorial: “ali está um copo”
Mas quem disse que o ser humano normal vê a realidade como ela é? Podemos até alucinar que os outros concordam connosco… crescemos acreditando nos nossos sentidos e a sua sintonia, que percepcionamos objectos e estes são reais e não uma ideia subjectiva. É só um lugar de incerteza, principalmente quando há outros seres humanos partilhando uma bem diferente outra realidade em conjunto, imunes ao rotulo de loucos pelo seu discurso bem articulado e coerência de perspectiva. Chamam-lhes gurus espirituais. Dizem que a consciência expande e isso altera a percepção da realidade. Que só em Satori (um estado de mega lucidez) vemos a realidade como ela é. É um estado de consciência cósmica e portanto intitulado como o último dos acordares. Estes ditos gurus espirituais descrevem com extrema precisão a perspectiva da pessoa ”normal”, estão conscientes dela mas acrescentam que é uma ilusão muito parecida ao que chamamos de sonho.
sábado, 12 de dezembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Espontaneidade adulta
“Ensinaram-nos o que pensar e não a pensar”
Pois estou a tentar manejar a minha elasticidade mental, uma abordagem criativa, livre e astuta, pois as várias massas não vão muito bem e cada um tem particularidades. Quantas pessoas pensaram em “estabilizar” e assim ficaram, sólidos como um bloco de gelo mecânico sonhando ser Napoleão de pila de fora, bem casados e mal fodidos…para alguns isso serve. Daqui a um século o que é descartável será uma outra moda de mentalidades, a essência da natureza humana estará lá, talvez não tão soterrada com máscaras, maquilhagens e coisas anormais a que tão bem nos adaptamos mas a custo de nos arrastarmos pela estrada de pó, não sabendo que a espontaneidade não é um valor secundário, descartável, mas um indicio que, despindo a sua máscara revela o poder de alguém que flui, sem tensões ou medos a rodear como uma jaula claustrofóbica... questão de liberdade: senti-la.
É que quando aceitamos os aspectos destrutivos da nossa persona, eles tendem a ser breves e leves. O problema e caso complicado são os veteranos, adultos, experientes e quase bloco de gelo que reprimiram tantos ódios infantis ao ponto de terem “a sensação” de que lá no fundo todo o ser é costela de diabo. Sempre tensos filisteus erguendo a medalha de veterano para sustentar os seus argumentos, normalmente mal aguentando nas canetas pois a sua vitalidade quis “estabilizar”. Porra conheço velhos carecas que me davam uma tareia com o dedo mindinho não fossem eles tão bem humorados e confortáveis com “os mundos”. Vidas em crescendo e um sorriso largo no minuto da morte.
Pois estou a tentar manejar a minha elasticidade mental, uma abordagem criativa, livre e astuta, pois as várias massas não vão muito bem e cada um tem particularidades. Quantas pessoas pensaram em “estabilizar” e assim ficaram, sólidos como um bloco de gelo mecânico sonhando ser Napoleão de pila de fora, bem casados e mal fodidos…para alguns isso serve. Daqui a um século o que é descartável será uma outra moda de mentalidades, a essência da natureza humana estará lá, talvez não tão soterrada com máscaras, maquilhagens e coisas anormais a que tão bem nos adaptamos mas a custo de nos arrastarmos pela estrada de pó, não sabendo que a espontaneidade não é um valor secundário, descartável, mas um indicio que, despindo a sua máscara revela o poder de alguém que flui, sem tensões ou medos a rodear como uma jaula claustrofóbica... questão de liberdade: senti-la.
É que quando aceitamos os aspectos destrutivos da nossa persona, eles tendem a ser breves e leves. O problema e caso complicado são os veteranos, adultos, experientes e quase bloco de gelo que reprimiram tantos ódios infantis ao ponto de terem “a sensação” de que lá no fundo todo o ser é costela de diabo. Sempre tensos filisteus erguendo a medalha de veterano para sustentar os seus argumentos, normalmente mal aguentando nas canetas pois a sua vitalidade quis “estabilizar”. Porra conheço velhos carecas que me davam uma tareia com o dedo mindinho não fossem eles tão bem humorados e confortáveis com “os mundos”. Vidas em crescendo e um sorriso largo no minuto da morte.
domingo, 25 de outubro de 2009
Para o comum mortal
Achas ou sabes que algo perdura à morte do corpo…então este texto não é para ti. Sendo assim também não é para mim, é meu, mas já foi para mim. Vai ficar neste blog quando eu morrer e talvez eu o veja depois. Não é de facto para mim, ou será? Se eu encarnar num ser que acredita na morte total, será então para mim. Não é definitivamente para este meu cérebro actual.
Se és alérgico a cemitérios este texto vai-te fazer comichão, não leias… Vamos então supor que não és nada mais que um espermatozóide desenvolvido que ganhou a corrida ao óvulo, nada depois da morte, que a morte é o fim de tudo o que te constitui, não ganhas, não perdes, desapareces; então, quando morres nada ficou por fazer; assim que estás no caixão ou cinza para o oceano, desconheces tudo o que te motivou. Bem, na tua perspectiva estás sempre vivo, nunca te verás morto. O teu funeral fará reunir muita gente (ou não), que chorará por ti (ou por eles?), serás tão importante para eles naquele momento e é uma pena que não o vejas, fechadinho no caixão assim tão sossegado.
Queres morrer velhinho? Com histórias para contar aos netinhos?
Morto, no pálido insubstancial, nada significa. É só a tua ideia enquanto vivo. Vais ter de morrer e nada te vai significar, independentemente de quando… Não te crescem os tomates quando sabes como acaba?
Repara: para ti a consequência eterna é a indiferente nulidade. Quão livre te sentes para isso enquanto vivo? Agora estás aqui, o que vais fazer disso seu monte de carne sonhadora?
“Rest In Peace”.
Se és alérgico a cemitérios este texto vai-te fazer comichão, não leias… Vamos então supor que não és nada mais que um espermatozóide desenvolvido que ganhou a corrida ao óvulo, nada depois da morte, que a morte é o fim de tudo o que te constitui, não ganhas, não perdes, desapareces; então, quando morres nada ficou por fazer; assim que estás no caixão ou cinza para o oceano, desconheces tudo o que te motivou. Bem, na tua perspectiva estás sempre vivo, nunca te verás morto. O teu funeral fará reunir muita gente (ou não), que chorará por ti (ou por eles?), serás tão importante para eles naquele momento e é uma pena que não o vejas, fechadinho no caixão assim tão sossegado.
Queres morrer velhinho? Com histórias para contar aos netinhos?
Morto, no pálido insubstancial, nada significa. É só a tua ideia enquanto vivo. Vais ter de morrer e nada te vai significar, independentemente de quando… Não te crescem os tomates quando sabes como acaba?
Repara: para ti a consequência eterna é a indiferente nulidade. Quão livre te sentes para isso enquanto vivo? Agora estás aqui, o que vais fazer disso seu monte de carne sonhadora?
“Rest In Peace”.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Lobo
Sorvi do pesadelo o seu demónio amargo.
Com deleite o fiz, propositadamente, pois sabia o que fazia.
Outrora, em pânico, evitava cruzar o olhar com os olhos da minha dor.
“Hoje é a iniciação, o desflorar do Lobo”
Um ácido mórbido fervilhava já pelas veias, uma vez injectado no cérebro, a senilidade neurótica corrói a mente com pensamentos caóticos e de uma súplica incontrolável por conforto. Um elemento novo estava lá para que tudo corresse bem.
Ardendo de medo…eu…prolongava o senso de força. Neste ponto todo o corpo rebentava em chamas cruéis. Fui fundo na dor e nem isso me fez hesitar, longe de fugir.
Sorvi do pesadelo o seu demónio amargo
Nos sorrisos apenas via mandíbulas, as lagoas tinham petróleo e as nuvens cobriram o sol, tão densas eram que parecia noite. Na penumbra ampla, algo insolitamente bom germinava. Uma sensação selvagem de orgulho à minha ferocidade, pois o medo não mais me causava medo. Na escuridão, os meus olhos brilhavam pujantes uma cor âmbar.
Com deleite o fiz, propositadamente, pois sabia o que fazia.
Outrora, em pânico, evitava cruzar o olhar com os olhos da minha dor.
“Hoje é a iniciação, o desflorar do Lobo”
Um ácido mórbido fervilhava já pelas veias, uma vez injectado no cérebro, a senilidade neurótica corrói a mente com pensamentos caóticos e de uma súplica incontrolável por conforto. Um elemento novo estava lá para que tudo corresse bem.
Ardendo de medo…eu…prolongava o senso de força. Neste ponto todo o corpo rebentava em chamas cruéis. Fui fundo na dor e nem isso me fez hesitar, longe de fugir.
Sorvi do pesadelo o seu demónio amargo
Nos sorrisos apenas via mandíbulas, as lagoas tinham petróleo e as nuvens cobriram o sol, tão densas eram que parecia noite. Na penumbra ampla, algo insolitamente bom germinava. Uma sensação selvagem de orgulho à minha ferocidade, pois o medo não mais me causava medo. Na escuridão, os meus olhos brilhavam pujantes uma cor âmbar.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Sair do trilho do pastor
Aquele tirano salivou a tua forca, com palavras infantis de infernos e sombras esfomeadas te esganou o ar. Vives arfando, parcialmente vivo, não ousando a tua liberdade, porque o rei ergueu a sua espada flamejante e espargiu o terror a multidão, bradando trovões ensurdecedores, ditou a lei na tua mente susceptível. Tudo o que te calam, rebenta por dentro. Cheira a tua carne na fornalha, és um predador amordaçado com vegetais. Queres gritar, mas tens farpas na garganta. Querem-te previsível e com medo do caos, que reajas por padrões e inseguro ao ponto de te arrastares por uma vida que não queres. Sabes o que queres?
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Aveludado
Os espaços não preenchidos deste olhar claro para o céu negro aberto.
Uma melodia desvela suave no saxofone hipnotizante.
O mundo sensorial pulsa nas minhas palavras singelas de quem repousa a reflexão e areja o tacto à noite de cetim. O ar morno de verão aconchega a dança subtil do meu corpo maleável e fluido, erotizado na sua sensibilidade natural de quem largou a fragrância da pele à improvisação da natureza nocturna, toda ela orgânica e interligada, sussurrando o mistério da intuição e as coisas escondidas para lá do que a luz alcança.
Uma melodia desvela suave no saxofone hipnotizante.
O mundo sensorial pulsa nas minhas palavras singelas de quem repousa a reflexão e areja o tacto à noite de cetim. O ar morno de verão aconchega a dança subtil do meu corpo maleável e fluido, erotizado na sua sensibilidade natural de quem largou a fragrância da pele à improvisação da natureza nocturna, toda ela orgânica e interligada, sussurrando o mistério da intuição e as coisas escondidas para lá do que a luz alcança.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
É uma questão de Fé
Profetas racionais analisam esta tendência cultural mais cerebral em que a fé num deus se esfuma na sua vela branca, à chama penetrante dos “factos”. Muita cera foi derretendo, o jogo flexível das interpretações sagradas estreita no que há a desvelar no fenómeno não geométrico da vida. Enquanto houver mistérios que transcendam a percepção humana, deus está lá, num exercício de metamorfose ideológica susceptível aos detractores que salientam as contradições divinas, como argumento fulcral à descrença.
O centro da existência estava em deus, era o impulsionador motivacional do homem que nunca pareceu escapar ao pecado. Em segundo lugar estava o “nosso irmão”, nós próprios nunca concretizamos o amor ao próximo porque estávamos esquecidos e condenados ao julgamento de um ser superior.
O homem tem de ser o centro, nós próprios; Sem julgamento aceitar o que somos. Amar-nos sem reservas e pesos na consciência, e aí sim, irá jorrar amor para os outros, e no fim a existência, colateral, a vida será amada. Quando damos por ela, a Fé na existência está lá.
O centro da existência estava em deus, era o impulsionador motivacional do homem que nunca pareceu escapar ao pecado. Em segundo lugar estava o “nosso irmão”, nós próprios nunca concretizamos o amor ao próximo porque estávamos esquecidos e condenados ao julgamento de um ser superior.
O homem tem de ser o centro, nós próprios; Sem julgamento aceitar o que somos. Amar-nos sem reservas e pesos na consciência, e aí sim, irá jorrar amor para os outros, e no fim a existência, colateral, a vida será amada. Quando damos por ela, a Fé na existência está lá.
sábado, 8 de agosto de 2009
Na minha outra vida
Os sonhos do manequim sem voz
Petrificado num planeta de casas abandonadas
Exalando gelo, um gelo tíbio
Tão horrorizado com as sombras de gigantes
E feras adocicadas que maneavam sensualidade
Os sonhos fervilhando nervos quebradiços
Da criança perdida com olhos de Cleópatra
Que via deuses e agarrava poeira
Deixou de sonhar, tal lágrima seca
Tresandava a solidão, vagabundo das marés
Falava com a rebentação das ondas
Fumegando estrelas negras
Vaga inércia a lua morta
Quando já nada restava
O verniz da cabeça de porcelana estalou
Mal senti
Quebrou tudo em cacos e lodo
Senti bem forte, e morri ali
Depois veio a minha segunda vida
Petrificado num planeta de casas abandonadas
Exalando gelo, um gelo tíbio
Tão horrorizado com as sombras de gigantes
E feras adocicadas que maneavam sensualidade
Os sonhos fervilhando nervos quebradiços
Da criança perdida com olhos de Cleópatra
Que via deuses e agarrava poeira
Deixou de sonhar, tal lágrima seca
Tresandava a solidão, vagabundo das marés
Falava com a rebentação das ondas
Fumegando estrelas negras
Vaga inércia a lua morta
Quando já nada restava
O verniz da cabeça de porcelana estalou
Mal senti
Quebrou tudo em cacos e lodo
Senti bem forte, e morri ali
Depois veio a minha segunda vida
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Come as you are
Ela era de beleza escultural toda nua. Estava quase a ter o orgasmo, naquele ponto mais egoísta do que relação, em que a atenção absorve a onda que vai rebentar. Irrompeu selvagem roçando céus, um orgasmo surreal que me fez estremecer os ossos do corpo. Ofegante, sorriso pós-arrematação, olhei para ela. Estava petrificada num horror que não percebi. Será que fui animalesco demais?
-Que foi querida? – Perguntei hesitante.
- Não tens máscara…
Como reflexo involuntário pus as mãos na cara e entrei em pânico comedido. Pois mesmo na morte, desde que somos crianças pré-adolescentes, ninguém ousa tirar a mascara.
- E…então? Pareço uma criança? Sem máscara?
Estas palavras reuniram as possíveis capacidades de lucidez dela. Um nojo execrável fê-la violentamente sair do quarto.
Fui, num misto de medo agudo e curiosidade, ao espelho baço de corpo inteiro. Quando me vi…
- Pareço um monstro…pareço um monstro…isto não posso ser eu…
Recuei combalido até me sentar na beira da cama desarrumada, perplexo e assustado fiquei alheio ao espaço-tempo do mundo, ate amanhecer. Tudo o que sempre escondi… Mais sóbrio barriquei a porta e a janela ficando na escuridão. A ideia de me ver outra vez era terrível.
O tempo lembrava-me a fome, numa insónia longa, que corrompia-me as forças. Fui buscar um bloco de notas e comi um bocado de papel para enganar o estômago. Comecei a ouvir um alarido lá fora, parecia pessoas em revolta atirando pedras à janela e tentavam arrombar a porta e gritavam: “Sai daí seu monstro!”
Estaria a alucinar?
Velas, muitas velas iluminaram de rompante o quarto. O cansaço não deduziu o facto estranho. Um papel esvoaçava pelo quarto ao vento inexistente. Consegui apanhá-lo. Estranhei ser a minha caligrafia, mas dizia: “ O monstro quando acarinhado recolhe as garras”
As palavras foram fundo em mim e percebi perfeitamente o que fazer.
Foi um choque rever-me ao espelho, mas em esforço de vontade enfrentei-me. Sabia o que fazer…apenas olhar sem julgamento. Lá fiquei, observando aqueles sulcos venenosos, aquela disformidade abominável. No inicio era difícil aceitar, mas aos poucos a própria cara ia modificando. Certo ponto a cara começou a ser mais cara, já não era um monstro, era uma cara. Repousava na minha face, uma paz interior observando e notei até alguns traços de inocência. Quando gostei de mim caí no chão e dormi.
Lá fora estava de facto uma multidão nervosa que espaireceu a tensão ate dispersarem vendo que eu tinha a máscara na cara. Como se nada passasse. Eu sentia-me uma força da natureza, toda ela viçosa e possante num regaço de tranquilidade inabalável…não havia drama. Se uso uma máscara é porque quero alguma coisa do teatro.
-Que foi querida? – Perguntei hesitante.
- Não tens máscara…
Como reflexo involuntário pus as mãos na cara e entrei em pânico comedido. Pois mesmo na morte, desde que somos crianças pré-adolescentes, ninguém ousa tirar a mascara.
- E…então? Pareço uma criança? Sem máscara?
Estas palavras reuniram as possíveis capacidades de lucidez dela. Um nojo execrável fê-la violentamente sair do quarto.
Fui, num misto de medo agudo e curiosidade, ao espelho baço de corpo inteiro. Quando me vi…
- Pareço um monstro…pareço um monstro…isto não posso ser eu…
Recuei combalido até me sentar na beira da cama desarrumada, perplexo e assustado fiquei alheio ao espaço-tempo do mundo, ate amanhecer. Tudo o que sempre escondi… Mais sóbrio barriquei a porta e a janela ficando na escuridão. A ideia de me ver outra vez era terrível.
O tempo lembrava-me a fome, numa insónia longa, que corrompia-me as forças. Fui buscar um bloco de notas e comi um bocado de papel para enganar o estômago. Comecei a ouvir um alarido lá fora, parecia pessoas em revolta atirando pedras à janela e tentavam arrombar a porta e gritavam: “Sai daí seu monstro!”
Estaria a alucinar?
Velas, muitas velas iluminaram de rompante o quarto. O cansaço não deduziu o facto estranho. Um papel esvoaçava pelo quarto ao vento inexistente. Consegui apanhá-lo. Estranhei ser a minha caligrafia, mas dizia: “ O monstro quando acarinhado recolhe as garras”
As palavras foram fundo em mim e percebi perfeitamente o que fazer.
Foi um choque rever-me ao espelho, mas em esforço de vontade enfrentei-me. Sabia o que fazer…apenas olhar sem julgamento. Lá fiquei, observando aqueles sulcos venenosos, aquela disformidade abominável. No inicio era difícil aceitar, mas aos poucos a própria cara ia modificando. Certo ponto a cara começou a ser mais cara, já não era um monstro, era uma cara. Repousava na minha face, uma paz interior observando e notei até alguns traços de inocência. Quando gostei de mim caí no chão e dormi.
Lá fora estava de facto uma multidão nervosa que espaireceu a tensão ate dispersarem vendo que eu tinha a máscara na cara. Como se nada passasse. Eu sentia-me uma força da natureza, toda ela viçosa e possante num regaço de tranquilidade inabalável…não havia drama. Se uso uma máscara é porque quero alguma coisa do teatro.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Cupido...ja aparecias não?
Para saberes se estás num sonho atira-te de um precipício, resulta sempre.
Medo…ele avisa, mas já viste, estamos a enlouquecer, é normal.
Ela diz que tem medo. Eu também e depois?
Depois o cataclismo desvela-se num adeus seco e o coração desfalece em vácuo, desmorona-se em lama negra pelas mãos que tentam em pânico existencial o que só ela podia. Caio num poço contorcido, cerrado de escuridão, o ar é espesso sufoco, e ardente delírio. Á superfície alastra-se como peste um deserto que afasta, para as catacumbas da solidão, o peso esmaga a memória da face dela quando ainda me sorria. Salteadores de esperanças exímios nas torturas do desespero gritam chiando dores insuportáveis e eu, só, febril apodreço.
Ok tem algum relevo, mas eu sou daqueles que escorregam sempre no piso molhado porque não vi o sinal. Mesmo quando parto uma clavícula, ou me salta um dente, ou desloco uma rótula, gosto de ser cego. Somos uma grande comunidade, nós, os cegos. Fazemos jantares às escuras só de sobremesas e festejamos tudo, ate o “abraço” que nos dão para ajudar a atravessar a estrada é motivo para agradecer aos deuses, que no nosso caso são como tudo, não os vemos. Ouvi dizer os corações são vermelhos, e às vezes brilham o que interfere com o pensamento. Acho que o meu está a brilhar.
Na realidade não sou cego, mas fecho os olhos sempre que posso, porque a distância é grande e assim vejo-te melhor. Toda a tua beleza cândida transbordando cascatas, e eu absorto contemplo cada subtileza que te pertence. Toda a tua imponência de me cativar sussurrando docemente que entre mais fundo no intenso e na loucura.
Talvez seja eu que tenha mais medo. Quantos já se enforcaram… acho que não deviam confiar um arco e flecha a um miúdo, com asas ou não. Um dia destes irei roubar-lhe aquelas flechas e espeto umas tantas no meu coração, mas talvez nem seja necessário. Como cego tenho “intuições” que me querem para alvo.
Medo…ele avisa, mas já viste, estamos a enlouquecer, é normal.
Ela diz que tem medo. Eu também e depois?
Depois o cataclismo desvela-se num adeus seco e o coração desfalece em vácuo, desmorona-se em lama negra pelas mãos que tentam em pânico existencial o que só ela podia. Caio num poço contorcido, cerrado de escuridão, o ar é espesso sufoco, e ardente delírio. Á superfície alastra-se como peste um deserto que afasta, para as catacumbas da solidão, o peso esmaga a memória da face dela quando ainda me sorria. Salteadores de esperanças exímios nas torturas do desespero gritam chiando dores insuportáveis e eu, só, febril apodreço.
Ok tem algum relevo, mas eu sou daqueles que escorregam sempre no piso molhado porque não vi o sinal. Mesmo quando parto uma clavícula, ou me salta um dente, ou desloco uma rótula, gosto de ser cego. Somos uma grande comunidade, nós, os cegos. Fazemos jantares às escuras só de sobremesas e festejamos tudo, ate o “abraço” que nos dão para ajudar a atravessar a estrada é motivo para agradecer aos deuses, que no nosso caso são como tudo, não os vemos. Ouvi dizer os corações são vermelhos, e às vezes brilham o que interfere com o pensamento. Acho que o meu está a brilhar.
Na realidade não sou cego, mas fecho os olhos sempre que posso, porque a distância é grande e assim vejo-te melhor. Toda a tua beleza cândida transbordando cascatas, e eu absorto contemplo cada subtileza que te pertence. Toda a tua imponência de me cativar sussurrando docemente que entre mais fundo no intenso e na loucura.
Talvez seja eu que tenha mais medo. Quantos já se enforcaram… acho que não deviam confiar um arco e flecha a um miúdo, com asas ou não. Um dia destes irei roubar-lhe aquelas flechas e espeto umas tantas no meu coração, mas talvez nem seja necessário. Como cego tenho “intuições” que me querem para alvo.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Prazer azul
Não há espaço, é sentido…
Neste ponto o mundo é isto, luz fresca da primavera subjectiva.
Brinco às delicadezas com a erva rente que molda os meus dedos brandos.
O céu cristal pelo ar puro, oceanos plácidos embalam instabilidades.
Um pouco mais fundo na montanha e estou num útero luminoso do qual não quero sair.
Ficar…
Neste ponto o mundo é isto, luz fresca da primavera subjectiva.
Brinco às delicadezas com a erva rente que molda os meus dedos brandos.
O céu cristal pelo ar puro, oceanos plácidos embalam instabilidades.
Um pouco mais fundo na montanha e estou num útero luminoso do qual não quero sair.
Ficar…
sexta-feira, 3 de julho de 2009
A revolta da formiga vermelha
Hoje tenho uma comichão persistente dentro de mim, como uma formiguinha de patinhas mansas deambulando dentro do meu corpo. Apetece coçar mas não consigo. Surge este texto que é a minha maneira de coçar. Desculpem qualquer coisinha, mas tenho mesmo que coçar.
Começo por dizer a palavra merda que já vem no dicionário, este, é o primeiro ponto e acho que todos concordam com ele. O segundo ponto…e assim é a nossa vidinha neurótica, querendo sempre fazer sentido, estimulados a ser racionais acima de tudo. Encadeamentos lógicos e contextos e etiquetas. Não quero dizer isto mas tem de haver algum argumento neste texto: Pelas exigências da nossa civilizaçãozinha de bebedores de bicas e relógios no pulso esquerdo, tivemos de sacrificar a intuição e tudo o que não faz sentido. Tudo o que é “selvagem” foi preso. Tudo o que é misterioso e demasiado exaltante, excepto assistir a um jogo de futebol e ter um ataque cardíaco, foi reprimido. Observemos uma criança…como se começam a reprimir comportamentos até ela ser um adulto responsável. O que se reprime não desaparece, apenas aumenta de intensidade em planos inconscientes do ser. Está lá, amordaçado gerando vulcões de tensão, somos irrequietos por não estarmos bem connosco. Pois aquela criança que deveria aprender a ser ela, a aceitar-se e gostar de si, começamos a dizer que ela não é suficiente, que tem erros, alguns ate a iludem no que na perspectiva da criança ela tem de ser perfeita. Compreendo que tenha de haver uma estrutura, mas também devia haver alturas para sermos piromaníacos com as devidas medidas de segurança. De certa forma isso vai acontecendo, mas “sem rede”, porquanto o que seria uma irritação saudável, reprimido, tornou-se um ódio desmesurável. Porque será que estamos sempre a pensar em sexo e em certas tribos “selvagens” nem na sua arte se reflecte esse aspecto? Repressão e espelhos quebrados para não ver certas partes de nós. Estamos sempre em controlo, esta é a minha comichão, sempre, sempre, ate numa punheta em controlo. O casalinho de apaixonados ousa dizer: “gosto de ti” ; e dizem isto ser ardente. Neste momento rio-me para essa merda. E agora começo a dizer o que realmente quero: Pelas insónias e os roedores de unhas, pelas comichões no rabo e os que estão em hospícios. Ouso dizer que o vosso “amor” pelos filhos não enche as medidas da definição amor. Se fosse amor haveria uma revolução amanha, não suportariam alimentar esta sociedade para os vossos filhos. Não se faz tudo por amor? A quantidade de pais que há!
Sonâmbulos do caralho, àgua morna que nunca ferve, ouvem musica como fodem, gentinha temerária que não suporta uma dor de cabeça e vai para a guerra mesmo depois de fazer um broche ao patrão. Que largam bombas e químicos letais e não cospem no chão porque é feio. Que expõem putos à violência animalesca mas é indecente ver um belo rabo espiritual.
- Se o Pedro se atirasse da ponte tu também ias?
-Se todos põem o despertador para as sete tu também porias puta fumadora?
Há sítios dentro e fora de nós tão belos em recantos esquecidos e nas notícias (a não perder) aparece o acidente de automóvel nº344 que ultrapassou o recorde anterior de feridos graves.
Depois todos se parecem preocupar e defendem as suas opiniões como se lhes fossem cortar os tomates, mas na realidade é uma questão de ego. Todos criticam e julgam e criticam, como o faço neste texto, desde a borbulha na testa ate aos denegridos pela fome. Todos criticam mas nem nisso há paixão. Separam-se uns dos outros, do mundo, deles próprios com espadas de borracha, sobem um degrau e param para descansar porque as revoluções são difíceis, alimentam tanto o que foi por eles próprios cuspido…Na união ninguém fala. Eu sou um merdas que depende tanto desta sociedade que mete nojo, sou parecido a toda a gentinha que acabo de criticar, como os que matam o assassino porque ele matou primeiro. Isto era só uma comichão que tinha de coçar.
Continuo porque sei que gostam do bota-abaixo, o que faz do meu acto um gesto de caridade
Há quem tente a harmonia, há quem sangre por um sorriso, há quem dançe no vale dos perdidos, há quem foda com paixão a ponto de sentir uma fusão com o ser que agora se revela espiritual, sim, sexo espiritual. Há quem corte braços pelo vizinho. Há amor estúpido de tão doido que é, há espontaneidade, há quem grite porque sim, há auto-estima, há carinho no olhar, há luzes em cumes e cores em caminhos, há paz interior, há sabedoria, há êxtase, felicidade constante e abundante, há união.
Agora fui mauzinho, falar de paz e merdas do tipo.
Começo por dizer a palavra merda que já vem no dicionário, este, é o primeiro ponto e acho que todos concordam com ele. O segundo ponto…e assim é a nossa vidinha neurótica, querendo sempre fazer sentido, estimulados a ser racionais acima de tudo. Encadeamentos lógicos e contextos e etiquetas. Não quero dizer isto mas tem de haver algum argumento neste texto: Pelas exigências da nossa civilizaçãozinha de bebedores de bicas e relógios no pulso esquerdo, tivemos de sacrificar a intuição e tudo o que não faz sentido. Tudo o que é “selvagem” foi preso. Tudo o que é misterioso e demasiado exaltante, excepto assistir a um jogo de futebol e ter um ataque cardíaco, foi reprimido. Observemos uma criança…como se começam a reprimir comportamentos até ela ser um adulto responsável. O que se reprime não desaparece, apenas aumenta de intensidade em planos inconscientes do ser. Está lá, amordaçado gerando vulcões de tensão, somos irrequietos por não estarmos bem connosco. Pois aquela criança que deveria aprender a ser ela, a aceitar-se e gostar de si, começamos a dizer que ela não é suficiente, que tem erros, alguns ate a iludem no que na perspectiva da criança ela tem de ser perfeita. Compreendo que tenha de haver uma estrutura, mas também devia haver alturas para sermos piromaníacos com as devidas medidas de segurança. De certa forma isso vai acontecendo, mas “sem rede”, porquanto o que seria uma irritação saudável, reprimido, tornou-se um ódio desmesurável. Porque será que estamos sempre a pensar em sexo e em certas tribos “selvagens” nem na sua arte se reflecte esse aspecto? Repressão e espelhos quebrados para não ver certas partes de nós. Estamos sempre em controlo, esta é a minha comichão, sempre, sempre, ate numa punheta em controlo. O casalinho de apaixonados ousa dizer: “gosto de ti” ; e dizem isto ser ardente. Neste momento rio-me para essa merda. E agora começo a dizer o que realmente quero: Pelas insónias e os roedores de unhas, pelas comichões no rabo e os que estão em hospícios. Ouso dizer que o vosso “amor” pelos filhos não enche as medidas da definição amor. Se fosse amor haveria uma revolução amanha, não suportariam alimentar esta sociedade para os vossos filhos. Não se faz tudo por amor? A quantidade de pais que há!
Sonâmbulos do caralho, àgua morna que nunca ferve, ouvem musica como fodem, gentinha temerária que não suporta uma dor de cabeça e vai para a guerra mesmo depois de fazer um broche ao patrão. Que largam bombas e químicos letais e não cospem no chão porque é feio. Que expõem putos à violência animalesca mas é indecente ver um belo rabo espiritual.
- Se o Pedro se atirasse da ponte tu também ias?
-Se todos põem o despertador para as sete tu também porias puta fumadora?
Há sítios dentro e fora de nós tão belos em recantos esquecidos e nas notícias (a não perder) aparece o acidente de automóvel nº344 que ultrapassou o recorde anterior de feridos graves.
Depois todos se parecem preocupar e defendem as suas opiniões como se lhes fossem cortar os tomates, mas na realidade é uma questão de ego. Todos criticam e julgam e criticam, como o faço neste texto, desde a borbulha na testa ate aos denegridos pela fome. Todos criticam mas nem nisso há paixão. Separam-se uns dos outros, do mundo, deles próprios com espadas de borracha, sobem um degrau e param para descansar porque as revoluções são difíceis, alimentam tanto o que foi por eles próprios cuspido…Na união ninguém fala. Eu sou um merdas que depende tanto desta sociedade que mete nojo, sou parecido a toda a gentinha que acabo de criticar, como os que matam o assassino porque ele matou primeiro. Isto era só uma comichão que tinha de coçar.
Continuo porque sei que gostam do bota-abaixo, o que faz do meu acto um gesto de caridade
Há quem tente a harmonia, há quem sangre por um sorriso, há quem dançe no vale dos perdidos, há quem foda com paixão a ponto de sentir uma fusão com o ser que agora se revela espiritual, sim, sexo espiritual. Há quem corte braços pelo vizinho. Há amor estúpido de tão doido que é, há espontaneidade, há quem grite porque sim, há auto-estima, há carinho no olhar, há luzes em cumes e cores em caminhos, há paz interior, há sabedoria, há êxtase, felicidade constante e abundante, há união.
Agora fui mauzinho, falar de paz e merdas do tipo.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Começa!
Sob os escombros pesados de muitas vidas condensadas, débil de intenção, uma lucidez preponderante quebra o ciclo dito fatídico pelos que não puderam melhor. Não é comum inspiração irrepetível, nem sombra esquecida pela noite.
Pelo que sempre quis da vida lá baixinho, eu, murmúrio lamentável, levanto a poeira de séculos com um rugido de estremecimento que anuncia a emersão de uma vontade selvagem.
Por toda a lágrima que desejou, pela parte de mim que ainda acredita, pela minha existência, toda ela, ergo com o poder de uma aurora, uma fúria de exércitos indomáveis que abalam a inércia do meu temperamento e algo se mexe pela primeira vez.
Esta lucidez, fez perceber que não há outro momento, que persigo hologramas sem sair do sítio. Aqui, onde estou, começa tudo. Custe o que custar conquistarei o meu caminho mesmo que ainda não saiba qual é. Cravo as garras à vida agora. Não mais perplexidade passiva. Não mais escravo de mim.Por toda a lágrima que desejou, pela parte de mim que ainda acredita, pela minha existência e toda ela…Uma vontade semeio e onde quer que esteja encontrarei. Algo se mexe pela primeira vez. Sou soldado da luz. Tremo, eu sei, mas só agora comecei. Serei incansável pelo que realmente importa. Pela minha existência, pela minha vida.
Pelo que sempre quis da vida lá baixinho, eu, murmúrio lamentável, levanto a poeira de séculos com um rugido de estremecimento que anuncia a emersão de uma vontade selvagem.
Por toda a lágrima que desejou, pela parte de mim que ainda acredita, pela minha existência, toda ela, ergo com o poder de uma aurora, uma fúria de exércitos indomáveis que abalam a inércia do meu temperamento e algo se mexe pela primeira vez.
Esta lucidez, fez perceber que não há outro momento, que persigo hologramas sem sair do sítio. Aqui, onde estou, começa tudo. Custe o que custar conquistarei o meu caminho mesmo que ainda não saiba qual é. Cravo as garras à vida agora. Não mais perplexidade passiva. Não mais escravo de mim.Por toda a lágrima que desejou, pela parte de mim que ainda acredita, pela minha existência e toda ela…Uma vontade semeio e onde quer que esteja encontrarei. Algo se mexe pela primeira vez. Sou soldado da luz. Tremo, eu sei, mas só agora comecei. Serei incansável pelo que realmente importa. Pela minha existência, pela minha vida.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
ave Altiva
Apanhei a força de gravidade da lua azul.
Pois eu sou uma ave de valor compreendem?
E agora já não preciso de bater as asas, estou sempre a planar fazendo parte do zodíaco alienígena daqueles que sabem da criatividade de apenas ser, transbordante deleite assim só estar. Já não preciso de comer, pois sou uma ave especial, nem de pensar e quando adormeço sonho com o que me acontece na realidade. Como não como também já não cago em cima das pessoas. Dizem que é azar….ingénuos.
Não sou de espécie nenhuma, deixei-me disso, muros e empurrões por onde quer que se vá.
Inquietude, por não sermos tudo o que queríamos ser. E estamos todos lá, não fosse a demasiada importância ao que seleccionamos como assunto a ser resolvido… atenção faz crescer. Aceitação e perceberão porque sou uma ave de valor.
Pois eu sou uma ave de valor compreendem?
E agora já não preciso de bater as asas, estou sempre a planar fazendo parte do zodíaco alienígena daqueles que sabem da criatividade de apenas ser, transbordante deleite assim só estar. Já não preciso de comer, pois sou uma ave especial, nem de pensar e quando adormeço sonho com o que me acontece na realidade. Como não como também já não cago em cima das pessoas. Dizem que é azar….ingénuos.
Não sou de espécie nenhuma, deixei-me disso, muros e empurrões por onde quer que se vá.
Inquietude, por não sermos tudo o que queríamos ser. E estamos todos lá, não fosse a demasiada importância ao que seleccionamos como assunto a ser resolvido… atenção faz crescer. Aceitação e perceberão porque sou uma ave de valor.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Nothing to worry about
http://www.youtube.com/watch?v=GwcaQ3qJ88U
A preocupação é um estado e não uma inevitibilidade de condições exteriores que nos afectam...
A preocupação é um estado e não uma inevitibilidade de condições exteriores que nos afectam...
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Mais uma estrela
No universo pouco estrelado, dentro do meu coração exigente e cauteloso de simples humano, onde a solidão arde ao calor do afecto até à cinza que espalha pelo espaço, para os meandros do esquecimento, uma nova estrela relampeja com aquela conotação única e feroz, que fascina de só olhar. Afunda em mim fertilidade de novas cores, crescendo forte neste universo mais aconchegado, criando efeitos de extraordinária magnificência.
Tão tu em mim, tinta na pele por todo lado e pensamento. Mais uns passos ao sabor do vento e impludo de paixão por ti. Mais umas loucuras de carinho e entrega e desfazes o meu senso de mim.
Sabes o que é a sensação de rebolar para um abismo sem fundo em que cair estonteia de êxtase? Sabes que é isso que quero contigo, apenas perder a noção de matéria enquanto te beijo e esquecer que tudo pode ter um fim?Entrarmos um no outro e ver Deus sorrindo no reino dos nossos corações, um só palpitando resplandecente por esse caos minorativo afora, livre em nós despojado de receios e restrições. É isso que te quero…só mais uns passos.
Tão tu em mim, tinta na pele por todo lado e pensamento. Mais uns passos ao sabor do vento e impludo de paixão por ti. Mais umas loucuras de carinho e entrega e desfazes o meu senso de mim.
Sabes o que é a sensação de rebolar para um abismo sem fundo em que cair estonteia de êxtase? Sabes que é isso que quero contigo, apenas perder a noção de matéria enquanto te beijo e esquecer que tudo pode ter um fim?Entrarmos um no outro e ver Deus sorrindo no reino dos nossos corações, um só palpitando resplandecente por esse caos minorativo afora, livre em nós despojado de receios e restrições. É isso que te quero…só mais uns passos.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
O que é isto?
Tenho a mente em lado nenhum senão em ti.
Rasgos de cheiro doce e mirabolantes deslumbramentos salivares
Não tenho mente senão para ti.
Flutuando vago e incerto em suspenso pelo vácuo
Navegando celeste, por purezas fugidias e prados clareados
Significam distâncias vertigem
As formas diluem-se em tom de hipnose reflexo distorcido
Embutido liquido melado escorrendo pelo teu corpo
Quero estar assim, vulnerável em carnal vermelho vivo
Numa perplexidade entorpecida, atordoamento das tuas palavras
Um arrepio ao relento, no céu amplo o teu rosto.
Rasgos de cheiro doce e mirabolantes deslumbramentos salivares
Não tenho mente senão para ti.
Flutuando vago e incerto em suspenso pelo vácuo
Navegando celeste, por purezas fugidias e prados clareados
Significam distâncias vertigem
As formas diluem-se em tom de hipnose reflexo distorcido
Embutido liquido melado escorrendo pelo teu corpo
Quero estar assim, vulnerável em carnal vermelho vivo
Numa perplexidade entorpecida, atordoamento das tuas palavras
Um arrepio ao relento, no céu amplo o teu rosto.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Anti-Intelectual
O sol levanta comigo.
Comer tremoços salgados com casca e em molhe. Limpar a mão ao pijama cinzento. Um quadro de flores exóticas. A mão sente a areia quente da praia melhor que um abraço. Palavras rumor ignoro. Não levantar e adormecer. Não me lembrar dos sonhos. Acender um cigarro que dura o suficiente. Espreguiçar amplo e adormecer de novo. Acordar fresco mas tomar café. Não bocejar. Não ir à água. Olhar o céu e pontinhos brancos bailam descoordenados.
Hoje fui ao bar do hotel e é noite de karaoke. Não pensei nisso, apenas fui. Mal olhei as pessoas e bocejei sem tapar a boca com as mãos. Adoro putos. Não havia conversa mas também não queria falar. Não olhava para o palco onde ontem houve show de papagaios. Depois olhei e estava uma mulher boa super a vontade. Não cocei a cabeça e olhei a parede amarela. Ouvia. A minha prima pré-adolescente começou a fazer palhaçadas. Sorri sincero mas não prestei muita atenção. As luzes ficaram mais fortes e ceguei temporariamente. Não olhava para a parede. Mudei de sofá e prestei atenção ao karaoke como toda a gente. Depois de “where is my mind?” Saí.
Comer tremoços salgados com casca e em molhe. Limpar a mão ao pijama cinzento. Um quadro de flores exóticas. A mão sente a areia quente da praia melhor que um abraço. Palavras rumor ignoro. Não levantar e adormecer. Não me lembrar dos sonhos. Acender um cigarro que dura o suficiente. Espreguiçar amplo e adormecer de novo. Acordar fresco mas tomar café. Não bocejar. Não ir à água. Olhar o céu e pontinhos brancos bailam descoordenados.
Hoje fui ao bar do hotel e é noite de karaoke. Não pensei nisso, apenas fui. Mal olhei as pessoas e bocejei sem tapar a boca com as mãos. Adoro putos. Não havia conversa mas também não queria falar. Não olhava para o palco onde ontem houve show de papagaios. Depois olhei e estava uma mulher boa super a vontade. Não cocei a cabeça e olhei a parede amarela. Ouvia. A minha prima pré-adolescente começou a fazer palhaçadas. Sorri sincero mas não prestei muita atenção. As luzes ficaram mais fortes e ceguei temporariamente. Não olhava para a parede. Mudei de sofá e prestei atenção ao karaoke como toda a gente. Depois de “where is my mind?” Saí.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Fragmentos nocturnos
Luzes múltiplas nos semáforos intermitentes ao longe, eu sob o candeeiro da sala resgatado para a varanda ao papel, escrevendo. O mar quase funde em cor com o céu ainda empobrecido de escuridão, naquele ponto em que os barcos de grande porte e as estrelas são um só e desaparece a linha do horizonte. Uma réstia de lua brilha noutra esfera do planeta ou está ausente pelas nuvens densas sem contornos. As árvores altas sentem o embalo do vento adocicado.
A realidade existe sempre na perspectiva de quem a vê. Subjectivamos o objecto que só o é nas concordâncias.
Um gato branco e vigilante procura comida. Não vai às pessoas, então procura ratazanas nestes solos semi-esverdeados de requinte, num hotel abandonado à falta de luz. Vejo mais varandas iluminadas do que na hora exacta da noite anterior.
Por fim, a linha do horizonte desaparecendo, desvelando escuridão, não há barcos e uma só estrela cintila visível ao frio pequeno na mão descoberta que escreve. Toda a luz é eléctrica e mais viva que a estrela solitária, que assim tão só, não parece rebentar luz.
A penumbra verde é agora negrume vivo, relances de neons tendem a apagar. Silêncio destabilizado por um monólogo dirigido a um público inexistente. Sei que a lua está atrás daquela casa. Vejo a poalha luminosa dos seus arredores no céu enevoado. Só pode ser a lua, a sua aurora de apartamento. Já sem estrela o que está visivelmente mais longe é um aglomerado urbano de macroestrutura, que sobrevive com o mesmo tipo de poalha, mas alaranjado. É mesmo a lua, e quase cheia não fosse faltar um laivo quase imperceptível que abate ligeiramente a parte cimeira deslocado para a direita. Amarelada, depois branco resplandecente. Nuvens com contornos sombreados a branco, rodeando a lua que me faz levantar e falar outra vez para o publico fantasma:
- Decrépitos obscuros, feliz noite vos acolham. Não tenciono a vossa atenção, procuro a minha na falta de aplausos.
Improviso mais um pouco:
- A noite hoje é um pouco mais longa, mas irei uivar consoante.
Estava com vontade de falar com alguém. Telefonei ao meu pai. O negócio está fraquinho porque está tudo de férias, a minha segunda mãe foi a um SPA budista e ainda recebeu presentes. Também lá esteve um dia frio.
Hoje a lua é imune às nuvens lívidas que avançam transparentes nas extremidades prolongadas. Agora distingo o mar brando que brilha largo por esta lua omnipresente. Uma nuvem maior fez drama cobrindo a face crateriforme da lua que no mar não se esconde.
Quase tudo a dormir aqui. Enchi a barriga de água fria e voltei para finalizar num ponto diferente da varanda de frente para o astro sozinho de estrelas. Amanhã parto para Lisboa.
A realidade existe sempre na perspectiva de quem a vê. Subjectivamos o objecto que só o é nas concordâncias.
Um gato branco e vigilante procura comida. Não vai às pessoas, então procura ratazanas nestes solos semi-esverdeados de requinte, num hotel abandonado à falta de luz. Vejo mais varandas iluminadas do que na hora exacta da noite anterior.
Por fim, a linha do horizonte desaparecendo, desvelando escuridão, não há barcos e uma só estrela cintila visível ao frio pequeno na mão descoberta que escreve. Toda a luz é eléctrica e mais viva que a estrela solitária, que assim tão só, não parece rebentar luz.
A penumbra verde é agora negrume vivo, relances de neons tendem a apagar. Silêncio destabilizado por um monólogo dirigido a um público inexistente. Sei que a lua está atrás daquela casa. Vejo a poalha luminosa dos seus arredores no céu enevoado. Só pode ser a lua, a sua aurora de apartamento. Já sem estrela o que está visivelmente mais longe é um aglomerado urbano de macroestrutura, que sobrevive com o mesmo tipo de poalha, mas alaranjado. É mesmo a lua, e quase cheia não fosse faltar um laivo quase imperceptível que abate ligeiramente a parte cimeira deslocado para a direita. Amarelada, depois branco resplandecente. Nuvens com contornos sombreados a branco, rodeando a lua que me faz levantar e falar outra vez para o publico fantasma:
- Decrépitos obscuros, feliz noite vos acolham. Não tenciono a vossa atenção, procuro a minha na falta de aplausos.
Improviso mais um pouco:
- A noite hoje é um pouco mais longa, mas irei uivar consoante.
Estava com vontade de falar com alguém. Telefonei ao meu pai. O negócio está fraquinho porque está tudo de férias, a minha segunda mãe foi a um SPA budista e ainda recebeu presentes. Também lá esteve um dia frio.
Hoje a lua é imune às nuvens lívidas que avançam transparentes nas extremidades prolongadas. Agora distingo o mar brando que brilha largo por esta lua omnipresente. Uma nuvem maior fez drama cobrindo a face crateriforme da lua que no mar não se esconde.
Quase tudo a dormir aqui. Enchi a barriga de água fria e voltei para finalizar num ponto diferente da varanda de frente para o astro sozinho de estrelas. Amanhã parto para Lisboa.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O complexo de Marilyn Monroe
Algo nos impele para o material. Vejo uma criança em transe, colada à montra de uma loja de muitos brinquedos, e numa súplica teatral dirigida aos pais, reduzidos ao elemento que pode comprar o carrinho vermelho de rodas largas. Essa criança cresceu à estatura independente do chamado adulto, já lá vai a alegria disponibilizada pelo dinheiro dos pais que efectivamente compraram o carrinho. Agora, este ser de barba aparada quer aquele carrão desportivo espalhafatosamente caro. Só estar dentro de tal carro à experiência o enrubesce de euforia. Do lado de fora, num banco de rua está um vagabundo a rir. O homem do carro nota que está um louco lá fora a rir olhando para si. Por momentos pensou que ele ia sufocar, tal convulsão abalava o seu corpo, mas não, apenas conseguia rir desalmadamente. Uma intriga nodosa fê-lo sair da loja e perguntar ao vagabundo de que ria ele. Passou um bando de pássaros, um carrinho de bebé, um manco e um grupo de turistas japoneses com as suas máquinas fotográficas de lentes telescópicas e acharam a cena engraçada: Um homem vestido como um empresário, sério como um abutre, e um vagabundo enrolado em mantas feliz como se tivesse descoberto o seu ponto G. Num português atabalhoado perguntaram “tilal foto?”. Passou um Boeing, dois putos com bisnagas e por fim o vagabundo parou de rir. Como serão aqueles putos em adulto? Quando o empresário ia falar, o vagabundo interrompeu-o a meia-palavra. Explicou que estava a rir porque quis.
- Vi o seu entusiasmo e quis sentir o mesmo.
Que valor teria o carro ao empresário se nenhum sentimento lhe despertasse, como se de um amendoim oco se tratasse?
Ora, a euforia parte de nós e não precisamos de nenhum brinquedo para a sentir, só não fomos ensinados de melhor forma.
Generalizando, a cobiça pelo material ocupa a nossa ambição, e às vezes, algum desse material fará diferença. Mas tendo comida e possibilidade de dormir, o essencial está em nós.
Se estamos devastados por uma depressão profunda não há brinquedos nem mesmo um filho, que façam diferença. O essencial está destruído.
Alguns reconheceram o essencial e desenvolveram-no, sentindo em constância estados diametralmente opostos à depressão que os torna invulneráveis ao drama, ao chinfrim mesquinho do exterior. Como oceanos, a superfície pode tornar-se turbulenta mas na sua profundidade nada altera perante a tempestade. O verdadeiro mestre é aquele que domou o seu interior e não mais escravo de circunstâncias. Ele tem um placar na entrada do seu lar que diz: “Todo o receio perante a vida, reside no drama que há dentro de nós”. Mesmo numa guerra em panorama eminente de morte podemos estar num estado de absoluta calma. Essa era a força dos Samurais que tinham no seu essencial a confiança inabalável mesmo perante a morte.
Se temos medo de alguma coisa deveria ser de nós próprios, pois é de nós que parte tudo o que nos pode magoar.
Num campo de concentração, em plena tortura, havia uma pessoa que não reagia com o crescente ódio e temor dos restantes aos torturadores. Não, ele reagia com amor. Quando se conseguiram libertar, investigadores estabeleceram contacto com as vítimas de tortura, e com espanto ouviram o testemunho visivelmente credível do homem que reagiu com amor. Ele era o único que não apresentava sinais alguns de trauma ou angustia ao relatar o que lhe fizeram.Estas são situações extremas só para assentar o meu ponto de vista, normalmente pisar um pedaço de merda de cão já nos tira do sério. Mas também quem nos ensinou diferente? Preocuparam-se somente em vocação sermos profissionais de trabalho, hábeis em teoria redundante que encerra eficaz apenas na especialização laboral. Afirma-se essa redundância quando pessoas sem curso estão melhores consigo mesmo. Não depende de uma licenciatura. Há muitas pessoas satisfeitas mesmo assim e ainda há espaço de manobra para algum rejúbilo. Dentro de nós há êxtase acima do amor transbordante, há píncaros imunes à exaustão e respostas à luz mais lucida, que nenhum brinquedo proporciona, daí a celebre frase: “Tudo o que procuras está dentro de ti”. Se o soubéssemos reconheceríamos a veracidade desta frase.
- Vi o seu entusiasmo e quis sentir o mesmo.
Que valor teria o carro ao empresário se nenhum sentimento lhe despertasse, como se de um amendoim oco se tratasse?
Ora, a euforia parte de nós e não precisamos de nenhum brinquedo para a sentir, só não fomos ensinados de melhor forma.
Generalizando, a cobiça pelo material ocupa a nossa ambição, e às vezes, algum desse material fará diferença. Mas tendo comida e possibilidade de dormir, o essencial está em nós.
Se estamos devastados por uma depressão profunda não há brinquedos nem mesmo um filho, que façam diferença. O essencial está destruído.
Alguns reconheceram o essencial e desenvolveram-no, sentindo em constância estados diametralmente opostos à depressão que os torna invulneráveis ao drama, ao chinfrim mesquinho do exterior. Como oceanos, a superfície pode tornar-se turbulenta mas na sua profundidade nada altera perante a tempestade. O verdadeiro mestre é aquele que domou o seu interior e não mais escravo de circunstâncias. Ele tem um placar na entrada do seu lar que diz: “Todo o receio perante a vida, reside no drama que há dentro de nós”. Mesmo numa guerra em panorama eminente de morte podemos estar num estado de absoluta calma. Essa era a força dos Samurais que tinham no seu essencial a confiança inabalável mesmo perante a morte.
Se temos medo de alguma coisa deveria ser de nós próprios, pois é de nós que parte tudo o que nos pode magoar.
Num campo de concentração, em plena tortura, havia uma pessoa que não reagia com o crescente ódio e temor dos restantes aos torturadores. Não, ele reagia com amor. Quando se conseguiram libertar, investigadores estabeleceram contacto com as vítimas de tortura, e com espanto ouviram o testemunho visivelmente credível do homem que reagiu com amor. Ele era o único que não apresentava sinais alguns de trauma ou angustia ao relatar o que lhe fizeram.Estas são situações extremas só para assentar o meu ponto de vista, normalmente pisar um pedaço de merda de cão já nos tira do sério. Mas também quem nos ensinou diferente? Preocuparam-se somente em vocação sermos profissionais de trabalho, hábeis em teoria redundante que encerra eficaz apenas na especialização laboral. Afirma-se essa redundância quando pessoas sem curso estão melhores consigo mesmo. Não depende de uma licenciatura. Há muitas pessoas satisfeitas mesmo assim e ainda há espaço de manobra para algum rejúbilo. Dentro de nós há êxtase acima do amor transbordante, há píncaros imunes à exaustão e respostas à luz mais lucida, que nenhum brinquedo proporciona, daí a celebre frase: “Tudo o que procuras está dentro de ti”. Se o soubéssemos reconheceríamos a veracidade desta frase.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Melodia Abstracta
Em ausência da dicotomia irrequieta da mente, fluindo em ténue sentimento de imortalidade, vasto como o halo delicado do incorpóreo, um som esbate-se na planície sem linha do horizonte, divagando multicolor por onde as vozes nada pretendem significar e o aroma da intuição glutina ao sítio inexistente. O ambiente incógnito avassala terno a minha dormência e numa biocenose paradisíaca, tudo se funde na harmonia fosforescente do impacto musical. Uma vibração líquida escorre pela sombra nuclear, e nada mais há para além da minha dança sideral e o deleite da percepção desta melodia abstracta. Espasmos pictóricos aleatoriamente cortando contrastes. Uma névoa deixa-se do espaço curvilíneo. Translúcidos palácios de cristal com brilhos míticos exaltados ao deslumbre num reino sobrenatural do indizível.
Abertura Mental
NOTA: termos não tão simplistas são utilizados como se de simplistas se tratassem no intuito da boa compreensão.
Perguntem a quem quer que seja, se tem uma mentalidade aberta. Quase todos dizem que sim. Ficamos com a sensação que estamos a perguntar: És ocidental, tens inteligência e bebes café para acordar?
Associamos as novas ideias a outras preexistentes, como um puzzle sem limites, adaptando a nova peça a outras já estabelecidas. Quando aparece uma peça estranha que nada parece ter a ver com o nosso puzzle, vai para o lixo. Mas se a peça reaparece, a pessoa observa-a já não tão estranha e com um bocadinho mais de intenção, talvez encaixe no seu puzzle. O mais difícil é assumir as que já encaixamos estar erradas. Quando temos um conceito formado a priori, este teima em não mudar. É quase matemática: temos ideias do tipo A e se aparece outra completamente diferente do tipo A, caso fatal, não é assimilada. Um bom exemplo é a história bizarra de que a Terra é redonda. Em criança estamos definitivamente abertos. Somos uma esponja gigante desprovida de julgamentos. Que venha tudo! O Pai Natal vive no pólo norte? Boa! O Pai apenas está a lavar a pilinha muito rápido? Boa!
Quando as borbulhas começam a desaparecer, ocorre num tempo não muito distante o perigo de alguém se tornar num filisteu. O filisteu congelou os seus conceitos perante a vida e para estes se alterarem tem de irromper um furacão invertido com uma cor nova e a berrar: Sou uma coisa nova! Não me vês?! Pode não ser o suficiente, mas se o furacão começar a dirigir-se na sua direcção, aí já há mais probabilidades de lhe prestar atenção. Mas, caso corrente, o filisteu tem uma mente fechada, que frequentemente vive o mesmo filme até enjoar de pipocas.
Estamos a falar de acolher ideias novas. As ideias têm um carácter volátil, no sentido de existir uma certa elasticidade argumentativa capaz de as alterar, consoante também a disponibilidade emocional e o distanciamento sendo difícil identificar a mente, a um armazenador frio de factos. Já a capacidade de acolher “experiências” novas, é um assunto mais melindroso. Entendo aqui, reforçado pela nota inicial, experiência equivaler à totalidade de “fenómenos subjectivos” perante um “acontecimento exterior”, delimitando as variantes para o que aqui importa: a experiência da rotina.
Vamos dizer deste modo:
A realidade está em constante mutação, o que há em nós que torna isso parcialmente verdade? O que não nos permite assimilar a sempre renovável realidade, são os padrões de memória. Mesmo presos num poço durante semanas ele só é a mesma situação pela “marca” repetitiva da memória. Mas saindo do poço para a multidão onde tudo é mais claro. É como ter um curso em arte clássica e tentar perceber um quadro moderno, baseado na bagagem clássica. Para exponencial a absorção de experiências, temos de estar entregues ao momento presente, ao aqui e agora. Estar no presente tempo suficiente para a mente não recorrer à memória ou a projecções futuras é algo precioso que guardo no meu percurso de vida…onde está o medo? Bem, num outro artigo. Este é dedicado à capacidade de acolher ideias novas. A mentalidade aberta no sentido mais badalado.
O café deveria ter alguma substância que realmente acordasse. É que não me parece (e aqui estaremos em sintonia) viver numa comunidade aberta. Onde estão eles? Um por um pergunto e todos afirmam:
“Não, eu tenho uma mentalidade aberta, sim”.
Este assunto é importante, pois se a pessoa está fechada nem mesmo o paraíso poderá lá entrar. Insisto: uma ideia pode mudar uma vida. Só o simples prazer de participar no acto criativo da vida, a capacidade de se surpreender, seria já motivo relevante para estar num espírito de receptividade. O filósofo é assim, vive num encanto de descobrir novas ideias. Reafirmo, falamos apenas de ideias e a capacidade de pluralidade de perspectivas.
O sentimento associado ao que uma ideia desperta é relevante na nossa compreensão e tolerância à mesma. As ideias de Hitler são para a maioria das pessoas, predominantemente asquerosas (emocional), e secundariamente“erradas” (racional). A sensação mais lúcida é a placidez. Quando me encontro insolitamente calmo aproveito para reflectir mas isso não garante uma mentalidade aberta. É uma sensibilidade que não está contraída mas predisposta para o desconhecido.Basta olhar para dentro de nós e ter uma certa noção de tudo o que evitamos. Há coisas dentro de nós que simplesmente não queremos ver. Podemos não aceitar, podemos não as compreender.O inicio é em reconhecer que lá está, o que já é uma espécie de aceitação. Isto se olharmos para nós, depois há todos os extraterrestres. Alguns dizem que devíamos aceitar tudo porque não há certo ou errado estanques…
Perguntem a quem quer que seja, se tem uma mentalidade aberta. Quase todos dizem que sim. Ficamos com a sensação que estamos a perguntar: És ocidental, tens inteligência e bebes café para acordar?
Associamos as novas ideias a outras preexistentes, como um puzzle sem limites, adaptando a nova peça a outras já estabelecidas. Quando aparece uma peça estranha que nada parece ter a ver com o nosso puzzle, vai para o lixo. Mas se a peça reaparece, a pessoa observa-a já não tão estranha e com um bocadinho mais de intenção, talvez encaixe no seu puzzle. O mais difícil é assumir as que já encaixamos estar erradas. Quando temos um conceito formado a priori, este teima em não mudar. É quase matemática: temos ideias do tipo A e se aparece outra completamente diferente do tipo A, caso fatal, não é assimilada. Um bom exemplo é a história bizarra de que a Terra é redonda. Em criança estamos definitivamente abertos. Somos uma esponja gigante desprovida de julgamentos. Que venha tudo! O Pai Natal vive no pólo norte? Boa! O Pai apenas está a lavar a pilinha muito rápido? Boa!
Quando as borbulhas começam a desaparecer, ocorre num tempo não muito distante o perigo de alguém se tornar num filisteu. O filisteu congelou os seus conceitos perante a vida e para estes se alterarem tem de irromper um furacão invertido com uma cor nova e a berrar: Sou uma coisa nova! Não me vês?! Pode não ser o suficiente, mas se o furacão começar a dirigir-se na sua direcção, aí já há mais probabilidades de lhe prestar atenção. Mas, caso corrente, o filisteu tem uma mente fechada, que frequentemente vive o mesmo filme até enjoar de pipocas.
Estamos a falar de acolher ideias novas. As ideias têm um carácter volátil, no sentido de existir uma certa elasticidade argumentativa capaz de as alterar, consoante também a disponibilidade emocional e o distanciamento sendo difícil identificar a mente, a um armazenador frio de factos. Já a capacidade de acolher “experiências” novas, é um assunto mais melindroso. Entendo aqui, reforçado pela nota inicial, experiência equivaler à totalidade de “fenómenos subjectivos” perante um “acontecimento exterior”, delimitando as variantes para o que aqui importa: a experiência da rotina.
Vamos dizer deste modo:
A realidade está em constante mutação, o que há em nós que torna isso parcialmente verdade? O que não nos permite assimilar a sempre renovável realidade, são os padrões de memória. Mesmo presos num poço durante semanas ele só é a mesma situação pela “marca” repetitiva da memória. Mas saindo do poço para a multidão onde tudo é mais claro. É como ter um curso em arte clássica e tentar perceber um quadro moderno, baseado na bagagem clássica. Para exponencial a absorção de experiências, temos de estar entregues ao momento presente, ao aqui e agora. Estar no presente tempo suficiente para a mente não recorrer à memória ou a projecções futuras é algo precioso que guardo no meu percurso de vida…onde está o medo? Bem, num outro artigo. Este é dedicado à capacidade de acolher ideias novas. A mentalidade aberta no sentido mais badalado.
O café deveria ter alguma substância que realmente acordasse. É que não me parece (e aqui estaremos em sintonia) viver numa comunidade aberta. Onde estão eles? Um por um pergunto e todos afirmam:
“Não, eu tenho uma mentalidade aberta, sim”.
Este assunto é importante, pois se a pessoa está fechada nem mesmo o paraíso poderá lá entrar. Insisto: uma ideia pode mudar uma vida. Só o simples prazer de participar no acto criativo da vida, a capacidade de se surpreender, seria já motivo relevante para estar num espírito de receptividade. O filósofo é assim, vive num encanto de descobrir novas ideias. Reafirmo, falamos apenas de ideias e a capacidade de pluralidade de perspectivas.
O sentimento associado ao que uma ideia desperta é relevante na nossa compreensão e tolerância à mesma. As ideias de Hitler são para a maioria das pessoas, predominantemente asquerosas (emocional), e secundariamente“erradas” (racional). A sensação mais lúcida é a placidez. Quando me encontro insolitamente calmo aproveito para reflectir mas isso não garante uma mentalidade aberta. É uma sensibilidade que não está contraída mas predisposta para o desconhecido.Basta olhar para dentro de nós e ter uma certa noção de tudo o que evitamos. Há coisas dentro de nós que simplesmente não queremos ver. Podemos não aceitar, podemos não as compreender.O inicio é em reconhecer que lá está, o que já é uma espécie de aceitação. Isto se olharmos para nós, depois há todos os extraterrestres. Alguns dizem que devíamos aceitar tudo porque não há certo ou errado estanques…
quarta-feira, 25 de março de 2009
O Grotesco
Havia a centelha visceral devorando ávida tudo o que separa.
As pupilas dos seus olhos dilatam-se, na noite madura de quarto crescente fusco que finalmente nos deixa a sós. Eu próprio devia demonstrar tal, estava expansivo no arder transcendental do meu desejo. Ela dilacera num movimento hábil a sua maquilhagem e despe a sua camisa de veludo.
Diz que é uma calamidade nas suas crenças surpreendidas, mas que voltou a confiar nas pessoas porque me conheceu. O seu semblante imperfeitamente borrado empalidece de expressão. Pega na lâmina tosca e rasga a pele abdominal num eco viscoso. As entranhas fedem para cima da mesa de madeira velha que absorve num crepitar o vermelhão escuro do seu sangue. Olha-me em sensível expectativa.
- Não tenho asco de ti…sabes o que isso significa? – e retiro da sua mão a faca ensanguentada com delicadeza, fito-a por um momento intemporal, até que irrompe um sorriso disforme e me diz pausadamente:
- Fá-lo. Confia. Abre-te.
Lentamente rasgo também o meu corpo, numa sensação morna de arrepio, vejo as minhas entranhas rolarem para a mesa. Os fluidos intestinais misturam-se num abraço consagrado de íntimo significado. Embebidos na aceitação em comunhão devota, o bafo misterioso do grotesco, ali, diante de nós, tornado renascença.
As pupilas dos seus olhos dilatam-se, na noite madura de quarto crescente fusco que finalmente nos deixa a sós. Eu próprio devia demonstrar tal, estava expansivo no arder transcendental do meu desejo. Ela dilacera num movimento hábil a sua maquilhagem e despe a sua camisa de veludo.
Diz que é uma calamidade nas suas crenças surpreendidas, mas que voltou a confiar nas pessoas porque me conheceu. O seu semblante imperfeitamente borrado empalidece de expressão. Pega na lâmina tosca e rasga a pele abdominal num eco viscoso. As entranhas fedem para cima da mesa de madeira velha que absorve num crepitar o vermelhão escuro do seu sangue. Olha-me em sensível expectativa.
- Não tenho asco de ti…sabes o que isso significa? – e retiro da sua mão a faca ensanguentada com delicadeza, fito-a por um momento intemporal, até que irrompe um sorriso disforme e me diz pausadamente:
- Fá-lo. Confia. Abre-te.
Lentamente rasgo também o meu corpo, numa sensação morna de arrepio, vejo as minhas entranhas rolarem para a mesa. Os fluidos intestinais misturam-se num abraço consagrado de íntimo significado. Embebidos na aceitação em comunhão devota, o bafo misterioso do grotesco, ali, diante de nós, tornado renascença.
Subscrever:
Mensagens (Atom)